Não gosto do calor. E daí?

NÃO GOSTAS?!!! Esta é a reacção das pessoas quando digo que não gosto do calor. Assim um NÃO GOSTAS?! com direito à tecla Caps Lock, acompanhado duma expressão de puro choque, a pedir que alguém lhes volte a colocar o queixo no lugar. Há quem se sinta pessoalmente atingido e prefere dirigir-me um esgar mal disfarçado,  um desprezo dissimulado, um Olha-me para esta com a mania! e um valente WTF! estampado na testa com direito a luzes néon intermitentes e tudo. Cheguei a pensar que se tratasse de uma questão de semântica. Se eu disser Não gosto de apanhar calor, será que se subentende que até gosto de praia, churrascos na varanda, Pernas de Pau à beira-mar e temperaturas acima dos 22ºC, mas dispenso o mal-estar, a moleza, a roupa que se pega ao corpo com o suor e toda a neura que isso tudo (me) provoca?

No domingo fui a Belém ter com a malta da fotografia. Não foi o pior dia da minha vida, mas nem por isso deixou de ser memorável. O percurso da minha casa à estação de comboios – um passeio agradável de pouco mais de 10 minutos por entre árvores frondosas e pássaros chilreantes – foi quase meia hora de suplício debaixo de um sol tórrido, por meio de plantas secas, cães moribundos e pássaros, bem, esses nem vê-los. O asfalto irradiava ainda mais calor para as minhas pernas. O vento parecia soprado de um secador de cabelo. As poucas pessoas que passavam franziam os olhos e pareciam dizer Não fale comigo que ainda lhe arranco os olhos!

Entrei no comboio e foi como se tivesse levado um murro na cara. Cliché típico deste tipo de situações: 0 ar condicionado não funcionava. Uma adolescente ao meu lado comentou Que cheiro a mortos. Penso que é elucidativo.

Sobrevivi à viagem para viver a maior provação do dia. Era pouco antes das 15h quando o comboio chegou a Belém. As portas da carruagem abriram-se e… outro murro na cara. A plataforma acolheu-me com uma nova “fornada” de secador de cabelo e com todo o ardor dos 37ºC que o sol cuspia para cima de mim. Pela frente, tinha uma caminhada, sem sombra, até ao Largo dos Jerónimos, com a roupa pegada à pele. Até os óculos de sol estavam colados à cara. Eu estava prestes a implodir.

A essa altura está tudo a gritar Mas não é normal estar tanto calor! Não é normal, mas também não costuma estar longe disso! A temperatura não costuma estar acima dos 35ºC, é um facto, mas é normal estar acima dos 30ºC e quando assim é, o calor é, na mesma, insuportável, o sol intenso, o odor nas carruagens do comboio agonizante. Eu não gosto disso. Sofro com isso. E por isso digo que não gosto do calor. E há algum mal?

11 comentários a este artigo.

  1. Posted by Né on Julho 12, 2010 at 09:30

    Quem tiver má reacção sobre a opinião de não gostar de calor intenso, é porque nunca desmaiou com o dito calor. Não te preocupes com esses comentários.

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  2. Posted by B on Julho 7, 2010 at 23:56

    Perna de pau… fantástico, fez-me lembrar o mini-milk, quando apareceu esse gelado pensei que fosse género um aperitivo fresco, pois aquilo era mais pequeno que um supositorio.
    Já agora, sabem como reapareceu o fizz-limão? Eu conto… tudo começou na rubrica da “caderneta de cromos” por Nuno Markl, é uma rubrica a falarem de coisas dos anos 80, e lá chegaram a esse gelado, bem bom por natureza, e lançaram um desafio á Olá para voltaram a produzir esse gelado, acho que juntaram uns milhares de assinaturas… et voilá… assim renasce um gelado.

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  3. Posted by Carla on Julho 6, 2010 at 12:37

    Eu também sou aversa a calor exagerado, aliás não vou ao Algarve há anos em parte por isso (a outra parte é que não sou extravagante (leia-se euromilionária) e não tenho dinheiro para ficar num Hotel de 5 ***** com todas as mordomias a que – acho – que tenho direito).

    A última vez que lá estive comecei a chorar que nem uma condenada no meio da rua precisamente por causa do calor e apanhei um escaldão numa das nádegas pelo que só me conseguia sentar à Catarina Furtado.

    Sendo assim, compreendo a tua dor. Mesmo assim não deixo de salientar que és doida em ter saído de casa a essas horas com a torreira que fazia no Domingo!

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    • Posted by Lily on Julho 6, 2010 at 13:16

      Ai, essa tua história fez-me lembrar uma amiga minha na Rep. Dominicana. Ela apanhou um escaldão na parte de trás do corpo, então só conseguia dormir de barriga para baixo. O que eu me ria com a forma como ela se deitava: ganhava balanço, atirava-se para cima da cama e conforme caísse, assim ficava

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    • “apanhei um escaldão numa das nádegas pelo que só me conseguia sentar à Catarina Furtado” LOL!!!!!! Picante, és demais!
      Combinámos a data há muito tempo e não sabíamos que ia estar 37ºC!!!

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      • Posted by Carla on Julho 6, 2010 at 17:22

        Maguita, só sei que és doida por teres saído a essa hora porque fiz o mesmo, hihi. Aliás, no meu caso foi pior, pk saí de casa a essa hora em pleno centro de Lisboa para ficar a olhar para montras de lojas de mobiliário (a um Domingo) pk meti na cabeça que precisava de comprar uma cama…

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  4. Posted by Lily on Julho 6, 2010 at 12:29

    Tens toda a razão, se uma pessoa ousa dizer essa frase quase que é fuzilada. Para mim, o ideal são 25º. Vá, até aos 28º ainda se aguenta, com sorte estica-se até aos 30º… mas tudo o que passe dos 30º, bastando 1 ou 2 graus, é sinónimo de suplício. Ai que caaalllooorrrrrrrrrrrrr

    PS – ontem a palavra que mais usei durante o dia/noite foi “horrível”…

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