Um pouco de telecinesia, nem sabem o bem que me fazia

Se me esforçar muito, mas MESMO MUITO, e me concentrar em pensamentos positivos e boas vibrações, o caos à minha volta desvanece-se como que por magia? Assim, POFF, e fica tudo limpo e arrumado? Já tentei fechar os olhos e manter-me muito quieta, na esperança de adquirir poderes telecinéticos para conseguir arrumar e limpar a casa sem mexer um dedo. Não resultou.

Tenho a cabeça a fumegar de tanto me esforçar por adquirir este super-poder. Estou num desvario. Imagino a fumaça a disseminar em partículas impalpáveis e a espalhar-se pelas zonas circundantes, Lisboa e por aí em diante, enfim, um trajecto muito semelhante ao do som das vuvuzelas, se forem a ver. (Não é suposto todos os portugueses soprarem as vuvuzelas para o som se propagar até à África do Sul e os nossos bravos guerreiros da bola poderem ouvir o “melodioso” toque da corneta e sentir o apoio de toda uma Nação? Sem que o confundam com um ataque de elefantes duma reserva animal num qualquer ponto da África Meridional, claro. But I digress.)

Outra hipótese seria dizer à Dona Mary que a casa ardeu na sequência de uma sardinhada na varanda e mandá-la para um hotel, mas o plano foi inviabilizado pelas restantes partes envolvidas nesta trama, para grande tristeza minha.

Estou a escassos dias da chegada da Dona Mary, a minha “sogra” que vem do País de Gales – um país de montanhas verdejantes, ovelhas e chuva – passar uns dias em Lisboa a escalar colinas, evitar sardinhas e apanhar mais chuva. O mínimo que posso fazer é oferecer-lhe uma casa limpa. Não sei se consigo.

Novo apelo ao oráculo

Povo que lavas no rio,

A minha pesudo-sogra é British, simpática, descomplicada, viajada. Adora Lisboa, adora fado, odeia peixe. Chega no dia 10 e quero muito levá-la a um arraial mas a senhora não come peixe nem a sopro de vuvuzela. Qual o melhor arraial para uma British pró-Lisboa anti-peixe? Vinde ajudar-me, vinde!

Como disse?

Acabei de preencher o formulário da revista Visão para encomendar esta colecção de livros. É facílimo de preencher. Basta responder pergunta a pergunta, inserindo os dados pessoais e escolhendo a opção mais adequada da lista de respostas possíveis. No meu caso, por exemplo, era só seleccionar Portugal como país de residência, Licenciatura como habilitações académicas e Tradutores (Instrução inferior a 11º/7º ano antigo) como profissão. Repito, Tradutores (Instrução inferior a 11º/7º ano antigo).

Imaginei logo os senhores da Visão a processarem a minha encomenda e a coçarem a nuca, Esta tem instrução inferior a 11º/7º ano antigo mas diz que é licenciada? Tss tss… O que as pessoas fazem para serem Doutoras, e optei por deixar esta categoria em branco. Talvez um dia a Visão dê o merecido valor à minha profissão e inclua a opção Tradutores (profissão altamente qualificada/licenciatura/especialização) e aí preencherei o formulário na íntegra.

Apelo ao oráculo

Hoje dirijo-me ao meu extenso rol de seguidores com um pedido de ajuda.

No ano passado, conheci uma veneziana através do Flickr. O marido aceitou uma proposta de trabalho em Lisboa e ela acompanhou-o, mas nunca conseguiu um emprego. Durante esses meses de desocupação, dedicou-se a aprender Português e a descobrir Portugal, sempre com a sua inseparável Valentina. Assume-se hoje uma apaixonada por Lisboa e fã incondicional do bacalhau espiritual.

Como aqui para os meus lados o trabalho também não abunda, saímos juntas para fotografar. Comunicamo-nos em “portitaliano” e falamos sobre fotografia (até improvisámos um estúdio!), cultura (ela faz-me muitas perguntas sobre Portugal e explica-me as diferenças culturais entre o Norte e o Sul de Itália) e gastronomia.  Aos poucos, fomos descobrindo uma a outra e construindo uma amizade fundada em bacoradas linguísticas e muito humor.

Há um mês disse-me que talvez regresse a Itália em Junho e pediu-me recomendações de livros de autores portugueses. Ficção literária contemporânea, nada de poesia. Claro que tem a consciência que é impossível compreender um romance em português na íntegra, mas creio que posso já excluir José Saramago, António Lobo Antunes e valter hugo mãe da lista… Entretanto, disse-me que tinha de ir a Itália por uns dias e combinámos trocar livros: ela ficou de me trazer um em italiano para receber um português em troca. Preciso urgentemente de lhe comprar um livro! Bons autores não nos faltam, mas preciso de me lembrar de um que tenha um registo que não a desencoraje logo à partida. Já tenho algumas ideias mas gostava de ouvir as vossas sábias palavras.

Povo, a partir deste momento, sois o meu oráculo! Vinde ajudar-me! Vinde!

Tentando escrever… Parte II

Dor, pensou, dor era uma palavra essencial.*

* Frase que sucede ao post anterior e não menos apropriada.

Tentando escrever…

Sentada numa cadeira desconfortável, pensava nas palavras fundamentais da sua vida.

Gonçalo M. Tavares redigiu estas palavras em Jerusalém, o terceiro romance da série O Reino, mas bem podia tê-las escrito sobre o estado em que me encontro agora…

Devo preocupar-me?

O diálogo seguinte desenrolou-se em italiano mas, por motivos óbvios, será transcrito em português.

Eu: Boa tarde a todos!
Paolo (o professor) e colegas: CIAO VANESSAAAAAAAAAAA!!!!!!!
Mulher que nunca vi na vida: Ciao!!! Tu deves ser a Vanessa! Eu sou a Bárbara, a colega do Paolo. Estavam aqui todos a falar de ti! A Vanessa isso, a Vanessa aquilo. Vanessa… Vanessa… Vanessa… És a mascote deles!

Sem comentários

Hi Vanessa! How are you? Are you available to proofread 5655 words from EN->PT(PT) between 4/26 10AM EST and 4/26 4PM EST for $25?

5655 palavras. 6 horas de trabalho. 25 dólares. Não tenho palavras para descrever o que sinto neste momento.

Retrato da urbanidade, século XXI

Excerto de uma conversa no Messenger:

Eu: Vais ao ginásio? Sei que andas num, agora se vais… É que sempre que vais anuncias no Facebook como se fosse um evento.

Amigo: lol!!!! É verdade, pouco vou. Não tenho paciência. É tãaaaaaaaaao chato! Vou ver se esta dieta funciona. Toda a gente que a fez perdeu montes de peso.

Eu: Compra uma Nintendo Wii e o jogo Wii Fit :-D

Amigo: lol! Ya, não sei, é um bocado caro.

Eu: Ou então arranjas uma bicicleta e pedala enquanto vês televisão

Amigo: Ya, não é má ideia, mas tenho medo, tipo 90% das pessoas que compram uma deixam de usar em duas semanas.

Eu: Não a arrumes nunca, deixa-a em frente à televisão.

Amigo: Vai acabar por servir para pendurar roupa.

Coisa mais normal

Existem homens que gostam de cortar as unhas das mãos com os dentes. Sim, com os dentes. Eu já vi muitos fazerem isso. Um dia, estava eu na companhia de alguns rapazes, aproveitei para lhes fazer a pergunta. Responderam-me que esse método é muito, mas MUITO mais conveniente porque uma pessoa não anda sempre com o corta-unhas atrás. Aliás, nem se lembram da última vez que o usaram. E de repente fez-se luz. Pois claro! Então se eu preciso de cortar as unhas e não tenho uma tesoura ou um corta-unhas à mão, tenho de recorrer aos dentes. Coisa mais normal. Claro que podem sempre argumentar que levantar o traseiro do sofá para ir buscar a tesoura ou o corta-unhas não mata, mas se não há necessidade de usar um desses instrumentos, então quase de certeza que uma pessoa nem se lembra onde os guardou. É roer e cuspir e tá a andar.

Levanta-se agora uma outra questão. E as unhas dos pés? Mesmo que uma pessoa consiga contorcer o corpo, certamente não quererá levar a unhaca à boca. A resposta foi peremptória. “Aí usa-se o corta-unhas” e a conversa morreu ali mas eu fiquei confusa. Então se quase não usam o corta-unhas, como cortam as unhas dos pés? A única conclusão possível que as deixam crescer. Ter as unhas dos pés compridas é muitíssimo útil. Precisamos delas para coisas muito importantes como fazer escalada, trepar árvores, afugentar predadores, ralar queijo e coçar a perna (estender o braço até ao ponto onde se encontra o prurido e mexer o dedo de um lado para o outro em rápida sucessão para aliviar esse desconforto é extenuante). Coisa mais normal.

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